O portal B2B do trade de vinhos no Brasil
Publicidade
Gente

Pablo Cúneo é eleito o "Enólogo do Ano de 2026" por Tim Atkin

O diretor de enologia da Luigi Bosca foi chancelado pelo crítico britânico por modernizar o estilo da vinícola centenária importada no Brasil pela Decanter.

25 de junho de 2026
Pablo Cúneo é eleito o "Enólogo do Ano de 2026" por Tim Atkin

No universo do vinho, poucas tarefas são tão desafiadoras quanto assumir o comando técnico de uma grife centenária, reverenciada por um estilo consolidado, e ter a audácia de transformá-la para melhor. Foi exatamente essa "revolução silenciosa" que rendeu a Pablo Cúneo, diretor de enologia da Luigi Bosca, o cobiçado título de Enólogo do Ano em 2026, outorgado pelo Master of Wine britânico Tim Atkin em seu prestigioso Argentina Special Report. Ao justificar a distinção, Atkin foi categórico: "Acho que o mais difícil em uma vinícola é pegar algo que já faz sucesso e torná-lo ainda melhor, e acredito que ele conseguiu isso". O reconhecimento coroa uma trajetória marcada pela precisão técnica, pelo pragmatismo e por uma sensibilidade fina para ler as mudanças no paladar do consumidor global sem romper com as raízes do passado.

Formado como engenheiro agrônomo pela Universidad Nacional de Cuyo, Cúneo traz na bagagem uma sólida formação que combina o manejo minucioso do vinhedo com a alta tecnologia de vinificação. Nos anos 1990, lapidou seu estilo na exigente escola francesa do grupo LVMH, atuando na Chandon e na Terrazas de los Andes. Posteriormente, comandou com brilhantismo a Ruca Malen por quase quinze anos, onde se consolidou como um dos grandes intérpretes do terroir de Mendoza. Foi em 2017, porém, que aceitou o convite para liderar a enologia da Luigi Bosca, vinícola que este ano celebra 125 anos de história nas mãos da família Arizu. O desafio era monumental: atualizar o portfólio de uma gigante de Luján de Cuyo conhecida por vinhos potentes, estruturados e com forte presença de carvalho, adaptando-a aos novos tempos.

Sob sua liderança, a Luigi Bosca passou por uma sutil, mas profunda, transição estilística. O enólogo diminuiu a intervenção da madeira nova, priorizando foudres e barricas usadas para salvaguardar a pureza da fruta, e antecipou cirurgicamente o ponto de colheita para preservar a acidez natural e a vivacidade dos vinhos. Embora a alma da vinícola permaneça fincada na histórica Luján de Cuyo, Cúneo foi o grande artífice da expansão da alta gama da casa em direção às altitudes frias do Vale do Uco, explorando micro-regiões como Gualtallary, Altamira e San Pablo. O resultado reflete-se em vinhos mais verticais, tensos e dotados de uma vibrante mineralidade — assinatura que se estende também aos brancos da vinícola, como o Chardonnay e o Riesling, hoje apontados pela crítica como modelos de elegância e frescor.

Para o mercado brasileiro, o prêmio conferido a Pablo Cúneo ressoa com força especial. Há quase três décadas, os rótulos da Luigi Bosca são importados com exclusividade pela Decanter, uma das referências em importação de vinhos de alta gama no país. Graças ao trabalho consistente da família Hermann, o consumidor brasileiro pôde acompanhar, safra após safra, toda a evolução técnica implementada por Cúneo, materializada em linhas aclamadas como De Sangre. Ao receber a honraria de Atkin, Cúneo fez questão de dividir o mérito com sua equipe e ressaltar o papel do crítico na projeção global do vinho argentino. Mais do que um prêmio pessoal, o título chancela o momento de maturidade de um profissional que provou que a verdadeira inovação não precisa destruir a tradição — pode, sim, torná-la eterna.

Publicidade
Compartilhar:

Newsletter

Receba as principais notícias do trade de vinhos diretamente no seu email.

Artigos Relacionados