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Guaspari transforma cascas de Syrah em chá de vindima

Guaspari e Infusiva lançam bebida com uvas e cascas de Syrah para marcar o fim da vindima 2026, unindo vinho e chá em nova aposta de experiência para o trade.

02 de setembro de 2026
Guaspari transforma cascas de Syrah em chá de vindima

A Vinícola Guaspari encerrou a vindima 2026 com o lançamento de um chá desenvolvido a partir de uvas Syrah e das cascas resultantes da vinificação. O produto, batizado Vinhas Camellia - Edição Especial Vindima 2026, é resultado de parceria com a Infusiva, marca de chás e infusões botânicas que também integra o Grupo Guaspari, e chega ao mercado como um dos primeiros exemplos no país de aproveitamento direto de subprodutos da vinificação para uma categoria fora do vinho.

O lançamento se insere em uma tendência que o trade de vinhos vem observando com atenção nos últimos anos: a valorização comercial de resíduos de vinificação, como cascas, engaços e borras, que historicamente eram descartados ou destinados a fertilizante e ração animal. Vinícolas em mercados como Itália, Espanha e Chile já exploram esses subprodutos em cosméticos, farinhas e extratos, mas a aplicação em chá funcional é ainda pouco explorada no Brasil, o que pode dar à Guaspari uma vantagem de pioneirismo em um nicho de baixo investimento e potencial de margem relevante, já que a matéria-prima é excedente da própria operação.

Para o trade, o movimento também é um case de diversificação de receita fora da garrafa. Ao criar uma linha que não compete diretamente com o vinho, mas reforça sua narrativa de origem, a Guaspari abre uma porta de entrada de menor ticket e maior giro para consumidores que ainda não compram vinho fino, além de um produto de cross-selling natural em pontos de venda, wine bars, hotéis e operações de enoturismo — segmento que já é parte do modelo de negócio do grupo. A escalabilidade, porém, depende de volume de casca disponível por safra, o que tende a limitar o lançamento a edições limitadas atreladas a cada vindima, reforçando a lógica de colecionismo e exclusividade que o setor de vinhos já usa para gerar recorrência de compra.

Guaspari cha 2.jpeg Para o CEO da Guaspari, Paulo Brammer, o projeto sinaliza um caminho de negócio que vai além do vinho engarrafado. "Acreditamos que cada etapa da produção carrega valor e que ainda há muitas possibilidades de ampliar a expressão dos nossos vinhos. Ao incorporar ingredientes provenientes da vinificação a uma nova categoria, nos chás, mostramos como as marcas do grupo dialogam entre si e fortalecem um portfólio construído sobre os mesmos valores de origem, excelência e inovação."

A tea blender e sommelier de chás Juliana Zannini, fundadora da Infusiva, afirma que a novidade representa um avanço em relação a lançamentos anteriores da marca inspirados no universo do vinho. "Já há alguns anos que estudamos como traduzir para os chás a riqueza sensorial encontrada nos vinhos. Neste projeto com a Guaspari, demos um passo para além da inspiração sensorial: pela primeira vez, as próprias uvas passam a fazer parte da criação, tornando essa conexão ainda mais autêntica."

O caso também dialoga com a agenda de sustentabilidade que compradores institucionais e importadores vêm cobrando de fornecedores de vinho. Dessa forma, segundo Juliana Zannini, economia circular e redução de desperdício deixaram de ser apenas discurso de rótulo e passaram a pesar em decisões de compra corporativa e em critérios de certificação. Ao transformar resíduo em produto vendável, a Guaspari cria um argumento comercial adicional para equipes de vendas e importadores que buscam diferenciar o portfólio em prateleiras cada vez mais disputadas, sem depender de aumento de área plantada ou de nova safra de uva nobre.

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