Viña Don Melchor inova com série colecionável 'Las Parcelas' e apresenta a safra 2023
Em movimento histórico após quase quatro décadas, a vinícola chilena lança o inédito DM01, com edição limitadíssima para o Brasil, acompanhado de seu icônico Cabernet Sauvignon em uma safra pautada pela precisão climática.

Após quase 40 anos dedicados à produção de um único e consagrado rótulo, a Viña Don Melchor anuncia uma expansão estratégica de seu portfólio no Brasil. Durante um roadshow voltado a grandes compradores, distribuidores e imprensa especializada — com passagens por São Paulo, Paraná e Bahia —, Enrique Tirado, CEO e Diretor Técnico da vinícola, apresentou em evento no hotel Fasano, nessa segunda, dia 25, duas grandes novidades para o mercado: a aguardada safra 2023 do clássico Don Melchor e o lançamento da série colecionável "Las Parcelas", que debuta com o inédito DM01.

O DM01 representa um marco na trajetória da marca, isolando pela primeira vez as características de um micro-terroir específico de Puente Alto. Elaborado a partir da safra 2022, o vinho provém majoritariamente da Parcela Nº 1 do vinhedo — a mais antiga da propriedade, plantada em 1979 com seleção massal pré-filoxérica trazida de Bordeaux no século XIX e cultivada em pé franco, sendo considerada uma relíquia vitivinícola mundial. Foi justamente dessa parcela que foram selecionadas as 3.000 plantas que deram origem a toda a seleção massal pré-filoxérica de Don Melchor. O vinho é complementado por 12% de Cabernet Franc e chega ao mercado com cerca de 500 garrafas numeradas, a um preço sugerido de R$ 800. "Esta parcela continua sendo parte essencial do blend final de Don Melchor. No entanto, na safra de 2022, sua potência e caráter distintivo nos permitiram criar o DM01 — que não é um segundo vinho, mas sim a primeira edição de uma série exclusiva", esclarece Tirado.
Do ponto de vista enológico e de posicionamento, a série "Las Parcelas" busca explorar uma comunicação mais sutil, destacando nuances específicas que não teriam o mesmo protagonismo no corte tradicional. No caso do DM01, a Parcela Nº 1 entrega um perfil aromático floral e de grande fineza, envelhecendo por 15 meses em barricas de carvalho francês (64% novas). "Las Parcelas funciona como uma lente de aumento no terroir", explica Tirado. "A Parcela Nº 1 tem uma personalidade floral e de grande fineza que merecia ser apresentada ao mundo de forma independente — algo que o corte tradicional não permitiria com o mesmo protagonismo." O projeto não obedece a uma ordem cronológica fixa, mas sim à expressão excepcional que uma determinada parcela venha a atingir em safras específicas. A continuidade já está garantida com o futuro lançamento do DM05.
Paralelamente a este lançamento de nicho, o carro-chefe Don Melchor chega à safra 2023 entregando o que Tirado define como um "equilíbrio exato entre energia e fineza". O vinho, que chega às prateleiras brasileiras girando em torno de R$ 1.200, reflete as condições atípicas da temporada. A safra foi marcada por um clima mais quente — com picos em fevereiro e março — e baixas precipitações (178,2 mm). Contudo, a proximidade com a Cordilheira dos Andes e suas noites frias contrabalançaram o calor, preservando o frescor dos cachos.

Um fator determinante para o sucesso da safra 2023 foi o tamanho reduzido dos bagos (uvas individuais do cacho), o que permitiu uma alta concentração de sabores, aromas e texturas vibrantes, compensando as intempéries climáticas. "A safra 2023 nos exigiu muita agilidade. O calor foi intenso, mas a Cordilheira nos deu as noites frias que precisávamos", conta Tirado. "Antecipamos a colheita em até três semanas e o resultado foi um vinho de equilíbrio exato entre energia e fineza." A colheita precisou ser antecipada em relação à média histórica da propriedade para assegurar o ponto ideal de maturação, evidenciando o grau de agilidade exigido da equipe técnica no vinhedo de 125 hectares, meticulosamente dividido em 151 micro-parcelas de manejo independente.
Para enfrentar a crescente imprevisibilidade climática e manter a consistência, a inovação tecnológica aliada à sustentabilidade tem sido a principal arma da Don Melchor. Nos últimos anos, a vinícola implementou o "Vinhedo Solar", um polígono experimental com videiras plantadas em 60 orientações e inclinações distintas. Os dados gerados por esse laboratório a céu aberto são aplicados diretamente no manejo das videiras mais antigas — algumas com até 46 anos —, ajustando a orientação dos brotos para simular condições climáticas ideais, otimizar a incidência solar e proteger a fruta.
Toda essa precisão vitícola é amparada por um modelo de manejo agroecológico holístico. "Não precisamos de selos para validar o que fazemos. Nosso compromisso com o solo, com a biodiversidade e com as práticas orgânicas está na taça", afirma Tirado. Sem priorizar selos de certificação no rótulo, a equipe opera com práticas 100% orgânicas e fomento ativo à biodiversidade — desde coberturas vegetais ao uso de cavalos no cultivo. Essa filosofia garante a vitalidade dos solos aluviais e permite que, na mesa de corte, entre mais de 150 lotes — entre vinhos de gota e de prensa —, Enrique Tirado continue tendo à disposição os melhores componentes para engarrafar a mais fiel e sofisticada expressão do Cabernet Sauvignon chileno.
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