IWC lança competição regional na América do Sul
Rótulos de vinícolas sul-americanas ganham etapa regional da International Wine Challenge, com estreia em Mendoza e revezamento anual entre países da região
O International Wine Challenge (IWC), um dos concursos de vinhos mais tradicionais do mundo, anunciou uma reestruturação de seu modelo de julgamento: a competição, historicamente centralizada em Londres, passa a operar em quatro frentes regionais — Américas, Ásia-Pacífico, Europa e Reino Unido. A mudança entra em vigor a partir de julho de 2026, com o IWC Americas realizando sua primeira edição de degustações em Mendoza, na Argentina. As inscrições já estão abertas desde 1º de julho.
Segundo a organização, os vinhos continuarão sendo avaliados às cegas por painéis de especialistas dentro de cada região, mas os rótulos premiados com medalha de ouro seguirão para uma etapa final de julgamento de Trophy em Londres, que permanece como instância máxima do concurso. Ou seja, a mudança descentraliza a primeira fase de avaliação, sem eliminar o papel de Londres como sede da disputa pelos prêmios mais altos.
Para comandar o painel de julgamento das Américas, o IWC nomeou os Regional Co-Chairs Matías Prezioso, Patricio Tapia e Christy Canterbury, que vão liderar o julgamento e a articulação com produtores da região. O chairman do IWC, Chris Ashton, afirmou que a nova estrutura foi desenhada para aproximar a competição de produtores e mercados regionais, mantendo os mesmos critérios técnicos e o padrão internacional que sustentam a credibilidade do concurso. Segundo Thiago Mendes, CEO da Eno Cultura e embaixador do IWC desde 2007, a expectativa é que a sede do IWC Americas rotacione entre países da região a cada edição, o que poderia colocar o Brasil entre os futuros anfitriões do concurso. Para Mendes, essa lógica de revezamento resolve dois problemas históricos enfrentados por produtores sul-americanos: o custo e o risco logístico de enviar amostras para Londres. "É uma forma de dar acessibilidade à competição para muitos produtores, com custos mais baixos ao ter o vinho degustado aqui em vez de enviado para Londres, e também de manter a qualidade do produto — porque ele pode perder qualidade no transporte", afirma. "Além disso, traz juízes de fora para cá e dá oportunidade para que profissionais locais participem dessa experiência de julgar em uma competição internacional."
Fundado em Londres em 1984, o IWC avalia hoje milhares de rótulos de vinho e saquê de dezenas de países todos os anos, por meio de um processo de degustação às cegas em múltiplas etapas. Com as inscrições já abertas, a expectativa é que o anúncio mobilize associações de vinícolas e sommeliers no Brasil nos próximos dias.
O IWC reúne anualmente mais de 500 especialistas de cerca de 40 países em seus painéis de julgamento, entre compradores, Masters of Wine e outros profissionais do trade, avaliando rótulos de dezenas de países produtores. Cada vinho premiado passa pela análise de, no mínimo, oito jurados antes de receber uma medalha, o que reforça o peso do selo do concurso como referência de benchmark internacional para produtores e para o mercado comprador.
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